Candidato despreparado ou recrutador exigente demais?

Basta navegar um pouco pelas redes sociais para enxergar resquícios de um duelo que parece não ter fim: recrutadores exigentes vs. candidatos irritados. De um lado vejo vagas absurdas sendo divulgadas: ensino médio completo, três anos de experiência e alemão fluente para quem desejar ser estagiário. No outro canto do ringue, leio relatos furiosos de pessoas inconformadas com os processos seletivos, “estava tudo indo bem até que o recrutador me entregou uma ficha, que continha apenas uma pergunta: você está andando de barco, um remo cai na água e tem uma onda gigante se formando logo atrás. Você salvaria a Ruth ou a Raquel?”.

Esse vale tudo despertou a minha curiosidade. Afinal, o que tem acontecido nas salas de entrevistas de emprego? Existem regras nesse jogo? A mão de obra está mais desqualificada ou os recrutadores estão mais exigentes?

Resolvi tentar desvendar todos esses mistérios e, de quebra, conseguir umas dicas. Para isso, convoquei a Fabiane Vieira da Rosa, psicóloga e analista de RH responsável pela gestão de currículos e entrevistas do Grupo Nexxera. Só em 2016, a empresa recebeu mais de 6.500 currículos, todos lidos e avaliados pela profissional, que também acompanha integralmente processos seletivos de diversas áreas.

Fabiane Vieira da Rosa, psicóloga e analista de RH do Grupo Nexxera.

Fabiane Vieira da Rosa, psicóloga e analista de RH do Grupo Nexxera.

O papel das redes sociais no recrutamento

O Facebook e o LinkedIn se tornaram meios eficientes de divulgação de vagas de emprego. O fenômeno é bem natural, uma vez que são espaços abertos e receptíveis. Vaga de emprego significa oportunidade para alguém, notícia boa, o que torna o conteúdo fácil de viralizar. Você sempre conhecerá um amigo per-fe-i-to para aquela função. Para a Fabiane, as redes sociais contribuem, e muito, no modelo de recrutamento moderno. “No LinkedIn, por exemplo, conseguimos alcançar candidatos potenciais, que estejam procurando uma oportunidade de inserção no mercado ou que já estão empregados, mas pensam em mudar de empresa”.

 

Existe um formato ideal para currículos?

Ok, cada segmento de mercado pode ter as suas especificidades na elaboração de um bom currículo. Mas existe um consenso entre os recrutadores do que é primordial. A psicóloga novamente me mostrou o caminho das pedras. Para ela os equívocos começam com os modelos prontos de currículos encontrados na internet. Muitos carecem de informações, enquanto outros sobram tópicos. “Já vi currículos sem nome”, alerta a recrutadora. Diante disso, fica claro que os dados pessoais são as informações mais importantes do documento. Em seguida, capriche na organização das suas experiências anteriores e tenha um formato de currículo ideal.

 

Na hora H (ou E, de entrevista)

É até difícil de contar as inúmeras matérias e postagens em blogs que tentam revelar os segredos mais profundos de uma entrevista de emprego. Perna cruzada, roupa vermelha, tatuagem coberta, decote, salto alto, gestos, gírias, jeitos, trejeitos e casca de feijão no dente. São tantas lendas que fica difícil saber na prática o que é levado em consideração a partir do momento em que escutamos o clássico “fale um pouco mais de você…”.

A Fabiane acredita que esses fatores variam com a cultura de cada organização. Nessa hora, o candidato que faz uma pesquisa prévia sai na frente, pois consegue descobrir facilmente algumas características da cultura interna. Caso o radar não funcione, a dica principal é respirar fundo e, durante a entrevista, se policiar com o excesso de gírias para não dificultar o entendimento do que é dito. Por fim, ela deixa claro que na hora H, I, J ou K, o desempenho sempre será mais importante que a roupa.

 

Pedir referências anteriores – Isso realmente acontece?

O último emprego pode ser tão traumático quanto um término de namoro. Por isso, são muitas as pessoas que ficam inseguras com o mito do recrutador ligando para o último chefe e pedindo referências.  De acordo com a Fabiane, há muito imaginário por aí. As referências geralmente são solicitadas à área de RH do antigo emprego, mas apenas em cargos específicos.

“Quando são vagas estratégicas para a companhia é uma prática comum solicitar referencias ao antigo empregador”.

 

E-mails de agradecimentos – incômodo ou delicadeza?

A mão coça. O coração palpita. A mente não para de pensar nisso. O que fazer para chamar a atenção do recrutador após a entrevista? Confesso que já li dicas que orientavam o candidato a borrifar perfume no currículo impresso. Será? A iniciativa mais comum se baseia em mandar um e-mail de agradecimento, mas nesse caso a linha entre delicadeza e incômodo é tênue.

A psicologa é positiva, acredita que é um ato gentileza, mas que não necessariamente irá contar pontos adicionais para o candidato. Do outro lado, ela salienta a importância das empresas fazerem o mesmo com os seus candidatos. “Dentro do Grupo Nexxera temos a cultura de dar um retorno, tanto negativo quanto positivo, a todos que participam das etapas de seleção. Valorizamos a disponibilidade e o interesse dos candidatos em participar do processo e entendemos que eles têm direito a um retorno. Infelizmente é uma prática pouco comum nas empresas.”

E não é que é verdade?

 

Quando o recrutador é exigente demais?

Essa é uma pergunta complexa, envolve uma série de fatores que interferem nos perfis buscados pelos recrutadores. Em uma análise ampla, percebo que o acesso à educação aumentou. Então há mais profissionais formados e qualificados no mercado. Porém, a economia brasileira sofre oscilações, o que tem levado muitas empresas a reduzirem o quadro de funcionários. Acrescente nesse cenário a ascensão da tecnologia informacional e o movimento multitasking – Ou seja, na era da interatividade ininterrupta, desenvolvemos o hábito de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Como resultado: alta demanda de candidatos, pouca oferta de vagas e uma busca constante por profissionais com múltiplas habilidades. As exigências, assim como as pessoas, são produtos desse meio.

A Fabiane finaliza com dicas de como se sair bem nessa. “Leia todos os requisitos da vaga antes de mandar o seu currículo. Se tiver dúvidas não tenha vergonha, entre em contato com a empresa. Pode não dar certo de primeira, mas muitas organizações trabalham com banco de currículos e, diferente do que muitas pessoas pensam, eles são utilizados.” 

 

Empreendedorismo, Grupo Nexxera , , , 1 Comment

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1 Comentário em "Candidato despreparado ou recrutador exigente demais?"

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Luiz Eduardo Santos
Visitante
Luiz Eduardo Santos
1 mês 18 dias atrás

A entrevista é um momento duro, principalmente para quem está fora do mercado ou tenta voltar as ele não tendo atividades recentes porque naturalmente não está trabalhando. Certificações e acreditations não garantem que seja um bom profissional e que já tenha feito um bom trabalho e ter apenas estado em empresas também. Certificações,CVs em outro idiomas e accreditations demandam investimentos pessoais que desempregados não tem e obviamente um contratante não pode bancar. Existe muita falta de sensibilidade por dos recrutadores

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