Entenda o que é design de comportamento e como ele afeta sua vida diariamente

Você já ouviu falar em design de comportamento (behavior design)? É um termo usado quando o designer planeja, previamente, qual será a ação das pessoas diante de um passo a passo indicado por ele. Em outras palavras, é quando o profissional influencia o comportamento do usuário até o objetivo que ele deseja.

Para que isso aconteça é preciso ocorrer três fatores simultâneos: um gatilho, uma habilidade e uma motivação, ou seja, algo precisa despertar a atenção (um toque de telefone, por exemplo), a pessoa precisa ter condições de realizar uma ação em cima disso (estar próxima do telefone) e precisa demonstrar interesse para tal (o aparelho mostra a foto de quem liga, para que o usuário decida se tem interesse ou não). Isso foi o que definiu BJ Fogg, profissional especializado no assunto.
A união do design de comportamento com o uso da tecnologia deu origem a um outro termo: a captologia (originado da sigla CAPT – “Computers As Persuasive Technologies” ou, em português, “computadores como tecnologias persuasivas”). Ela estuda como a tecnologia é capaz de influenciar comportamentos e, até mesmo, influenciar hábitos na sociedade.
Também liderado por BJ Fogg, esse ramo já foi explorado por grandes empresas, como Facebook, Google e Twitter.

 

COMPORTAMENTO-DESIGN

Os comportamentos

Fogg criou o termo e é responsável pelo Laboratório de Tecnologia Persuasiva em Stanford. Um dos participantes desse laboratório foi Tristan Harris, ex-engenheiro do Google, que compartilhou neste post alguns dos comportamentos gerados pelas técnicas de persuasão usadas em aplicativos, sites e outros meios de tecnologia. Alguns deles são:

  • O uso de menus digitais (como lista de restaurantes em aplicativos de comida, por exemplo) fazem o usuário ter a sensação de liberdade de escolha, apesar das alternativas apresentadas serem muitas vezes manipuladas (de acordo com os gostos e preferências, no caso). Esse sentimento pode tornar a pessoa dependente deste artifício e optar por ele sempre que precisar decidir algo;
  • A sensação de ter medo de perder algo importante faz parte do dia a dia de muitos usuários de tecnologia, e isso faz com que eles se mantenham mais tempo conectados. Quando você assina uma newsletter por ter medo de não ser notificado se alguma notícia relevante for divulgada ou quando você adiciona uma pessoa que não fala há anos, por medo de perder algo importante da vida dela, você está agindo com este comportamento, e isso pode se transformar em um síndrome conhecida como FoMO (Fear of Missing Out, ou em português “medo de perder algo”);
  • A necessidade de aprovação social é algo cada vez mais comum no meio da tecnologia e muitos aplicativos utilizam recursos para estimular isso. Quando você troca a foto de perfil, por exemplo, você possivelmente quer interações positivas a respeito, por isso o Facebook deixa essa publicação visível por mais tempo entre os seus amigos, para que eles possam dar likes ou fazer comentários;
  • A tecnologia também aflora a nossa reciprocidade social, que é quando sentimos a necessidade de retribuir os gestos das outras pessoas. Isso fica nítido quando curtimos fotos de quem nos curte no Facebook ou quando recomendamos competências profissionais a quem já nos recomendou, no Linkedin. Alguns aplicativos percebem isso e já indicam o que podemos fazer;
  • Algumas estratégias tecnológicas transformam os usuários em consumidores incansáveis, principalmente quando as empresas oferecem a eles um consumo sem fim, como as timelines intermináveis e vídeos que reproduzem automaticamente, um após o outro.

 

Está assustado com tudo isso? Fique tranquilo, você não está sozinho.

As técnicas de persuasão utilizadas em empresas de tecnologia não são, necessariamente negativas, mas causam uma reflexão profunda sobre até onde podem chegar.
A ideia não é proibir o uso da persuasão, mas fazer com que os usuários de tecnologias entendam que estão sendo persuadidos e possam, dentro do possível, optar até onde querem ser influenciados. Isso é o que prega o movimento Time Well Spent (tempo bem gasto), criado por Tristan Harris, que tem por objetivo fazer as pessoas recuperarem o domínio que possuem sobre as tecnologias.
Algumas recomendações sugeridas por Harris para quem quer reduzir o tempo gasto nos smartphones e aplicativos, são:

  • Elimine notificações desnecessárias;
  • Mantenha na tela inicial somente os aplicativos essenciais, como câmera, bloco de notas e mapas;
  • Quando quiser abrir um aplicativo, digite o nome no campo de busca;
  • Utilize despertadores à moda antiga e, quando for dormir, carregue o celular fora do quarto.

Algumas empresas já passaram a oferecer – ou estão desenvolvendo – ferramentas para o usuário visualizar o tempo gasto no aplicativo e, consequentemente, optar por quanto tempo acha ideal ficar interagindo com a solução. A mais recente delas foi divulgada dia 1º de agosto, pelo Facebook (e refletirá no Instagram também).

 

E se a captologia fosse usada para o bem social?

Há quem acredite que a tecnologia como poder de persuasão possa ser utilizada para influenciar bons comportamentos também, como tornar as pessoas mais caridosas, estimular a paz ou, até mesmo, torná-las mais felizes ao substituir seus hábitos por outros mais saudáveis.
Independentemente a sua opinião, achamos válida a reflexão de todos os pontos apresentados aqui, principalmente entre empresas e profissionais do ramo, para que estejam preparados para qualquer impacto que essas técnicas possam causar agora e no futuro.

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