Parece simples, mas não é: regras dos cartões de crédito são incompreendidas pelos consumidores

O uso do cartão de crédito é algo tão comum na vida do brasileiro que acredita-se que sua utilização é intuitiva e natural, e que suas regras estão claras para todos. Mas, a realidade não é bem assim. Em um contexto no qual novas regulamentações vêm sendo implementadas no setor financeiro, pode ser difícil acompanhar as alterações e manter-se 100% informado. Principalmente no mundo em que vivemos, no qual todos os dias há uma avalanche de informações e, muitas vezes, não nos aprofundamos naquilo que realmente interessa.

Uma pesquisa feita pela Fundação Procon-SP conseguiu demonstrar este cenário de desinformação. Os resultados mostraram que metade dos consumidores não estão cientes das novas normas do uso do rotativo, que entraram em vigor em abril deste ano. O problema torna-se ainda mais preocupante quando analisam-se os dados relativos à compreensão da fatura do cartão, como um todo: apenas 53,8% dos entrevistados afirmaram sempre entender o documento. E há uma parcela de 11,9% que declarou nunca estar inteirado sobre todas as informações trazidas.

rotativo-cartão

No caso do rotativo, a falta de informação pode induzir o consumidor a aceitar opções menos interessantes na hora de quitar sua dívida. Dentre os respondentes da pesquisa que conseguiram pagar o valor total da fatura após 30 dias do uso desta modalidade de crédito, 53,8% aceitaram o parcelamento proposto pela instituição financeira e ofertado na própria fatura e apenas 3,8% dos consumidores buscaram soluções de empréstimos no mercado e contrataram opções com juros mais baixos.

Importante destacar que ações que visam promover o melhor entendimento do mercado pelas pessoas devem ser tomadas de forma integrada pelos diversos players do setor. Enquanto as instituições financeiras se esforçam para comunicar seus clientes com maior eficiência, os próprios consumidores devem buscar informações para uma tomada de decisão mais consciente com relação ao planejamento financeiro. A imprensa, por sua abrangência, tem papel fundamental neste sentido, bem como órgãos de defesa do consumidor.

Uma vez que trata-se de uma medida recente, é natural que haja uma curva de aprendizado. Espera-se que, em breve, os brasileiros habituem-se às novas regras e passem a cuidar melhor de suas finanças.

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