Princípios da gestão da cadeia de suprimentos no varejo

Operar no varejo significa enfrentar desafios constantes na rotina profissional. Dentre essas demandas, uma das mais importantes é relacionada com a engrenagem que faz o comércio girar de dentro para fora: a gestão da cadeia de suprimentos.

Gerenciar supply chain chega a causar arrepios em certos administradores do varejo. Trata-se de uma tarefa multifocal, com diversos fornecedores da indústria e muitos produtos a serem manejados, negociados e recebidos.

De fato, o gerenciamento da cadeia de suprimentos (GCS) no varejo pede estratégia e qualidade nos processos. Esse é o segredo para evitar prejuízos e acertar na construção de bons resultados, com processos constantes e otimizados. 

Neste post, vamos falar sobre os princípios da gestão da cadeia de suprimentos no varejo. Veja mais sobre os conceitos de supply chain management, os setores que fazem parte da atividade e seus principais desafios.

Boa leitura!

Sobre o conceito de gestão da cadeia de suprimentos

O supply chain management (SCM) é uma tarefa que envolve muito mais do que cuidados logísticos. Algumas pessoas têm um conceito errado sobre a gestão da cadeia de suprimentos, acreditando que apenas a logística está envolvida aqui.

É claro que existem pontos-chave nessa tarefa diretamente ligados com as questões logísticas. Destacam-se fatores como:

  1. Seleção de fornecedores para firmar negociações próximas e de sucesso;
  2. Escolha dos melhores preços para insumos e reposição de mercadorias;
  3. Desenvolvimento das estratégias de recebimento, distribuição e estocagem.

Mas a gestão de supply chain vai muito além do universo da logística. Uma perspectiva ampla permite envolver mais “elos” nessa corrente. 

Alguns administradores preferem encarar o supply chain management como algo holístico, presente em quase todas as etapas do varejo. Ou seja, desde a inserção do produto em estoque até o momento em que a venda é concretizada.

Dessa forma, fica claro que essa tarefa não se resume a compras, transporte, estoque e venda. Há a troca de informações estratégicas, o desenvolvimento de funções, a adoção de políticas de conformidade e a compliance. 

E, claro, não podemos nos esquecer de todos os esforços para integração de processos, que são fundamentais para criar uma cadeia de trabalho harmônica.

Esse pensamento dá margem para ampliar aquela lista de três itens mencionada nos parágrafos acima, fazendo com que ela cresça e adote mais alguns pontos:

  1. Gestão do fluxo diário dos bens e das finanças da empresa;
  2. Coordenação estratégica do trabalho executado em cada etapa;
  3. Estabelecimento de comunicação entre os protagonistas da cadeia.

O objetivo final dessa renovação de perspectivas sobre SCM é conceder à empresa inteligência suficiente para executar um gerenciamento adequado de todas as etapas.

É o famoso lema: gerenciar para crescer!

Essa gestão estratégica, por sua vez, resulta em melhorias como a redução dos custos de produção, otimização dos serviços internos e externos, melhorias na qualidade dos itens ofertados pela empresa e maior satisfação por parte dos clientes. 

Quais setores fazem parte da cadeia de suprimentos?

A GCS vai muito além dos processos de logística. Por isso, envolve setores empresariais, que devem trabalhar de maneira integrada para obter bons resultados. 

Em empresas de grande porte, é comum ter uma equipe especializada na gestão da cadeia de suprimentos. Contudo, mesmo quando há a presença de um time exclusivo, é inevitável que outros setores participem da atividade. 

Veja abaixo quais são os protagonistas do gerenciamento de supply chain

Compras

O envolvimento do setor de Compras na GCS é imprescindível. Esse é o time responsável por lidar de forma direta com parceiros de fornecimento, sendo encarregado de realizar os pedidos para reposição de matéria-prima e/ou produtos para venda.

A área deve estabelecer boas relações com parceiros externos à empresa, identificar as melhores oportunidades de negócios, controlar os gastos e analisar preços, além de estabelecer todas as condições de pagamento junto aos fornecedores. 

Estoque

Assim como o time de Compras, o setor de Gerenciamento de Estoque tem um papel fundamental relacionado com o supply chain. Isso porque é no estoque que ficam concentrados os recursos para produção de toda empresa. 

O estoque deve ser visto como “o meio do caminho” entre o fornecedor e o cliente final. A manutenção de um fluxo constante na estocagem é importante para otimizar o controle de custos e a eficiência no transporte. 

Sendo assim, o estoque ideal deve ser planejado para se tornar um setor com:

  1. Volume enxuto de mercadorias, na medida e alinhado com a demanda empresarial;
  2. Baixo custo de operação e processos bem feitos, de acordo com seu planejamento;
  3. Ágil nas entregas e reposições, a fim de contribuir para o fluxo de caixa da empresa.

Não podemos nos esquecer também de que o setor de Estoque é, em muitos casos, o responsável por gerenciar a qualidade das entregas feitas por um negócio. Este quesito é primordial para garantir bons resultados e gerar experiências de compra positivas. 

O gerenciamento das entregas se tornou ainda mais importante para os resultados empresariais, conforme a Internet se tornou um meio de compras muito utilizado. 

Vendas

A área de Vendas faz parte da ponta da corrente; contudo, é parte integrante da mesma. Por mais que o cliente final ocupe uma posição lá no fim da cadeia, toda a movimentação empresarial tem foco neste protagonista.

A gestão da cadeia de suprimentos está relacionada com as vendas de forma indireta, mas essencial. Todos os processos necessários para a compra de materiais tem como finalidade assegurar um bom produto a um preço convidativo.

Assim, há influência das vendas e ações de comercialização sobre o preço e a qualidade dos produtos. 

E a recíproca é verdadeira. As escolhas tomadas pelo restante da cadeia de produção e gestão de suprimentos impacta na qualidade dos itens que, por sua vez, baliza os resultados de venda e o faturamento comercial. 

Outro ponto importante é que o volume de vendas ou a previsão de demanda do setor comercial influencia o setor de Compras. O qual, por sua vez, tem ligação direta com GCS.

Diante disso, o departamento de Vendas deve ser tratado como o grande “informante” para as tomadas de decisão dentro do supply chain. 

Marketing

O setor de Marketing tem papel semelhante ao de Vendas no supply chain management. Porém, a diferença básica é seu foco, que está no dimensionamento de demandas futuras. 

As ações de marketing visam ampliar o volume de vendas. Sendo assim, também cabe ao setor fornecer uma previsão de mensuração com base nos resultados de suas ações. Quanto mais precisa for a projeção, melhor para toda a cadeia. 

Junto com essas prospecções, o Marketing pode dar uma força para movimentar produtos parados no estoque e otimizar o fluxo de saída de mercadorias. 

Jurídico

O setor fica responsável pela administração dos contratos com fornecedores e parceiros. E quando se fala em contratos, não se trata apenas de obrigação, mas de relações. Portanto, o Jurídico atua também como um gestor de relacionamento estratégico de GCS. 

Tecnologia da Informação (TI)

O setor de TI dá subsídios para a implementação de soluções tecnológicas na gestão da cadeia de suprimentos. 

Além disso, a equipe gerencia a transmissão de informações, faz a gestão de documentos e fomenta os recursos de tecnologia e comunicação necessários

Recursos Humanos

Um setor essencial para selecionar profissionais qualificados e que impacta em toda a gestão da cadeia de suprimentos. 

O RH fica responsável por reter talentos, detectar necessidades de melhorias dentre os colaboradores e apontar necessidade de treinamento. 

Os desafios principais na gestão da cadeia de suprimentos

O principal desafio do varejo é o dimensionamento dos estoques e processos de supply chain. Se destacam entre as principais dores do setor:

  1. Efetivar comprar assertivas;
  2. Agendar recebimento de itens;
  3. Monitorar vendas e estoques
  4. Ampliar mix de produtos.

De acordo com um estudo feito pela Capgemini em 2013, apenas 21% dos gerentes de supply chain afirmaram que seus sistemas de controle fornecem informações precisas e em tempo real para a gestão estratégica da cadeia de suprimentos.

Isso significa menos controle e mais “achismo” na administração. E, inclusive, na reposição de mercadorias – que é ponto central para as vendas. 

A mesma pesquisa apontou que 89% dos consumidores norte-americanos optam trocar de loja após atraso na entrega, e 73% trocam de estabelecimento caso não haja o item de seu desejo no momento em que é feita a procura.

Isso significa que, dentre os maiores desafios da gestão de supply chain, se destacam a necessidade de adotar tecnologias para fomentar decisões estratégicas de produção. 

Essa melhoria traz impacto direto sobre a satisfação do consumidor com a marca. 

E como executar o GCS de maneira positiva?

Com tantos setores envolvidos e perante a sensibilidade desta cadeia, fica evidente que a busca por processos automatizados está se destacando como a solução ideal. O motivo disso é a redução de custos operacionais, ampliação da inteligência de negócios e otimização do posicionamento no mercado.

Se o grande desafio da gestão da cadeia de suprimentos é o controle e dimensionamento do estoque, cabe às empresas adotar meios para tornar suas operações mensuráveis. 

Com base em dados e análise de resultados, a tomada de decisão é mais simples e possui menos chances de erros. 

Dessa forma, o primeiro passo para otimizar GCS é investir em tecnologia. Isso deve ser feito para um gerenciamento mais preciso, atuando na falta de controle interno e escassez de recursos para executar esse controle com precisão. 

Gostou do nosso conteúdo? Então, deixe seu comentário e compartilhe com seus colegas!

Sem categoria 0 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *